Desemprego cai a 5,2% até novembro e renova mínima da série histórica

Resultado fica abaixo das projeções do mercado financeiro. População com trabalho bate recorde, e número de desempregados tem menor nível, diz IBGE

Desemprego cai a 5,2% até novembro e renova mínima da série histórica
Movimentação na região da 25 de Março, que reúne trabalhadores do comércio e consumidores em São Paulo - Allison Sales - 16.dez.25/Folhapress

A taxa de desemprego do Brasil caiu a 5,2% no trimestre até novembro, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em agosto, que servem de base de comparação, apontam dados divulgados nesta terça (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado renova a mínima da série histórica iniciada em 2012. Até então, a menor taxa havia sido de 5,4% até outubro deste ano. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre trimestres com meses repetidos, como é o caso dos finalizados em outubro e novembro.

A taxa de 5,2% veio abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 5,4%, conforme a agência Bloomberg.

Os dados do IBGE integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), que investiga tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal.

No trimestre encerrado em novembro, o instituto encontrou 5,6 milhões de pessoas em busca de trabalho, o menor número de desempregados já registrado na série. Houve redução de 441 mil ante o intervalo até agosto.

Ao longo da Pnad, o maior contingente de desocupados ocorreu no trimestre finalizado em março de 2021, na pandemia de Covid-19. À época, o indicador chegou a quase 15 milhões de pessoas.

A menor desocupação da série foi acompanhada por um novo recorde do número de pessoas ocupadas com algum tipo de trabalho no país: 103 milhões. Houve acréscimo de 601 mil ante o trimestre até agosto.

Com isso, o nível de ocupação também renovou o maior percentual da série: 59%. Trata-se da proporção de pessoas de 14 anos ou mais que estavam trabalhando.

A coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, disse que o mercado de trabalho tem mostrado uma capacidade de retenção da mão de obra em um "nível muito satisfatório".

Segundo ela, isso contribui para reduzir a busca por emprego, apesar de o país atravessar um período de juros altos e endividamento elevado das famílias.

"A gente pode afirmar que o ano de 2025 foi bastante satisfatório, porque o mercado de trabalho conseguiu assegurar, ou manter, os seus ganhos cumulativos. Por isso, estamos com a taxa de [desemprego] de 5,2%", afirmou Adriana.

A população fora da força, que não está ocupada nem à procura de vagas, foi estimada em quase 66 milhões até novembro. Houve alta de 176 mil ante o trimestre encerrado em agosto.

A saída de pessoas da força também contribui para não pressionar o desemprego. Isso porque um trabalhador precisa estar em busca de oportunidades para ser considerado desocupado, além de não estar atuando.

A renda real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.574 por mês no trimestre até novembro. É outro recorde da Pnad, com altas de 1,8% ante o trimestre encerrado em agosto e de 4,5% em um ano.

Os indicadores de emprego e renda vêm em uma trajetória de recuperação no país. Segundo analistas, o movimento refletiu uma combinação de fatores.

O desempenho aquecido da economia em meio a medidas de estímulo do governo federal, as mudanças demográficas e os impactos da tecnologia na geração de vagas são questões apontadas para explicar o desemprego baixo.

A retomada do mercado de trabalho, porém, não eliminou questões como a informalidade considerada elevada no país. Economistas destacam que ainda há um contingente grande de empregos vistos como mais precarizados.

Fonte: Folha de S. Paulo