Luto pelo fim de um relacionamento pode doer mais do que a morte de um ente querido; psicólogo explica

Segundo os especialistas, a escolha de ir embora, no caso de uma separação, é o principal motivo

Luto pelo fim de um relacionamento pode doer mais do que a morte de um ente querido; psicólogo explica
A dor de um término de relacionamento às vezes pode ser maior do que a morte de um ente querido, que pode ser um pai ou uma mãe — Foto: Freepik/Reprodução

A dor de um término de relacionamento é universal, mas poucos se atrevem a compará-la ao luto causado pela perda permanente de um ente querido. No entanto, segundo a psicologia, o sofrimento após um término pode, em muitos casos, ser mais profundo e agonizante do que a tristeza da morte.

Adrián Chico, psicólogo especializado em sexo e relacionamentos e co-apresentador do podcast Noche para dos, conversou com o especialista em saúde mental Dany Blázquez, onde explicaram as diferenças e os motivos pelos quais uma situação é mais difícil de superar do que a outra.

“A dor de um término de relacionamento às vezes pode ser maior do que a morte de um ente querido, que pode ser um pai ou uma mãe… Porque o ente querido não escolheu ir embora, mas o parceiro sim”, explicou Chico. E continua: "eles não vão embora porque não querem, e se pudessem, teriam ficado ao seu lado. A outra pessoa simplesmente continua vivendo a vida dela, mesmo com alguém que ama mais do que você. Você está vendo a pessoa seguir com a vida dela, e não pode fazer nada para impedir, e às vezes você nem entende.”

Nesse sentido, ele destacou que não ser escolhido pela pessoa desejada pode se tornar um pensamento obsessivo.

“Você está descrevendo apenas a superfície do que eu defino como uma compreensão mais profunda de por que nem todas as perdas doem da mesma forma e por que cada uma é uma história diferente”, complemente Blázquez.

“Eu sempre digo que tudo depende de dois fatores: o vínculo e as expectativas. Se o vínculo é muito forte, se a pessoa está muito presente na sua vida, se a sua vida gira em torno dela, se as suas expectativas não incluíam a perda ou se você evitava estar com ela... Muitas vezes acontece que, no processo de luto após um término, as pessoas não param para pensar no que está se desfazendo”, disse o especialista.

E acrescentou: “No luto pela morte, o que frequentemente acontece é que ela ocorre, por exemplo, com a morte de um pai ou de uma mãe. Em teoria, isso é o que se conhece como a lei da vida, um conceito com o qual discordo um pouco, porque também nos faz pensar que qualquer coisa que não aconteça até os 95 anos é errada, como uma desgraça. Mas dentro dessa expectativa da lei da vida, podemos aceitá-la mais facilmente."

Fonte: Globo.com