Flávio Bolsonaro reage ao vazamento de seu plano de governo que prevê congelar aposentadorias

Suposto programa econômico do senador, que é pré-candidato à presidência, acabaria com reajuste de aposentadorias e despesas com saúde e educação acima da inflação

Flávio Bolsonaro reage ao vazamento de seu plano de governo que prevê congelar aposentadorias
Adriano Machado/Reuters/Folhapress

Um plano econômico atribuído à equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, prevê o congelamento, na prática, de aposentadorias e de investimentos em áreas sociais. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a proposta é fazer com que esses gastos passem a ser corrigidos apenas pela inflação, sem aumento real.

Hoje, aposentadorias, salário mínimo e pisos de saúde e educação podem crescer acima da inflação. A mudança estudada eliminaria esse ganho real.

O que muda

De acordo com a reportagem, três frentes principais estão em discussão:

  • Aposentadorias e benefícios sociais: passariam a ter reajuste apenas pela inflação. Isso inclui benefícios do INSS e o BPC (Benefício de Prestação Continuada). Na prática, haveria congelamento do poder de crescimento desses rendimentos ao longo do tempo.
  • Salário mínimo: a proposta prevê separar o reajuste do mínimo pago aos trabalhadores dos benefícios previdenciários. Ou seja, mesmo que o salário mínimo suba acima da inflação, aposentadorias poderiam ficar limitadas à reposição inflacionária.
  • Saúde e educação: os pisos constitucionais — hoje vinculados a percentuais da arrecadação — deixariam de acompanhar o crescimento da receita. Na prática, os investimentos nessas áreas também ficariam congelados em termos reais.

Ajuste fiscal

O objetivo do pacote seria reduzir despesas públicas em cerca de 2% do PIB. A avaliação dentro da equipe ligada ao senador, segundo a Folha, é de que isso ajudaria a sinalizar controle das contas públicas e melhorar a confiança do mercado.

Impacto

Na prática, as medidas atingem diretamente aposentados e o financiamento de políticas públicas. Sem aumentos reais, benefícios e investimentos deixam de crescer junto com a economia, o que tende a reduzir renda e capacidade de atendimento ao longo dos anos.

As mudanças exigiriam alterações na Constituição e dependem de aprovação do Congresso.

Negativa

Após a publicação, Flávio Bolsonaro negou o conteúdo e classificou a informação como falsa:

“O dia já começa com combate às FAKE NEWS!
Fonte furada, nunca tratei do tema internamente!”

A Folha de S.Paulo afirmou que mantém a reportagem, baseada em relatos de integrantes da equipe e interlocutores da pré-campanha.

Fonte: Revista Fórum