Flávio teria viajado à Argentina para ir para os EUA, diz site; aliado nega

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil na noite de ontem (26) rumo à Argentina para seguir viagem aos Estados Unidos, em um voo privado, noticiou nesta madrugada o site argentino Infobae.

Flávio teria viajado à Argentina para ir para os EUA, diz site; aliado nega
O senador Flávio Bolsonaro (PL), em seu discurso após resultado das eleições Imagem: FREDERICO BRASIL/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

O coordenador-geral da campanha de Flávio à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou a informação.

"Não saiu", disse Marinho à coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles. O UOL tenta contato com a assessoria de Flávio, mas ninguém respondeu ainda.

Ontem, a Polícia Federal intimou Flávio a entregar seus passaportes, comum e diplomático, em até 24 horas, por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes.

O Infobae é o maior site de notícias da Argentina e, de acordo com pesquisa do Reuters Institute for The Study of Journalism de 2026, um dos veículos mais confiados pelos argentinos.

O que diz o site argentino
Informação publicada pelo Infobae aponta que Flávio cruzou a fronteira para a Argentina e iria embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem estava prevista para as 2h de hoje (horário local), em um Gulfstream G400.

De acordo com o site, o candidato derrotado pelo presidente reeleito Lula (PT) teria atravessado a fronteira usando o documento nacional de identidade.

O avião citado na reportagem é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. Segundo o Infobae, a companhia pediu os trâmites de Aduana e Migrações para quatro passageiros e três tripulantes.

O UOL acessou o Flightradar24, onde consta um voo, na noite de ontem, de Buenos Aires para Puerto Iguazu, mas não há registros de decolagens hoje para os EUA. O site é um serviço online que mostra o rastreamento de voos de aeronaves em tempo real em um mapa interativo.

Sobre o avião


O Infobae relata que a aeronave está registrada na Argentina desde 25 de setembro de 2020 em nome da Baires Fly S.A. Antes, o jato teria operado com matrículas de EUA e México, incluindo N524GA, N522AC, N522AG, XA-CHG e N152GA.

O Gulfstream G400 é uma aeronave com capacidade para 13 passageiros, com camas para até seis pessoas. No site da Baires Fly, a empresa oferece serviço personalizado 24h, refeições especiais, open bar, entre outras comodidades.

O LV-JQW foi fabricado em 2004 pela Gulfstream Aerospace. O modelo tem dois motores Rolls-Royce Tay e autonomia estimada entre 7.000 e 7.800 quilômetros.

STF pediu passaporte de Flávio


O senador Flávio Bolsonaro tem de entregar seus passaportes à Polícia Federal hoje, após a determinação de Moraes

Na noite de domingo (25), dia da eleição presidencial, Moraes deu prazo de 24 horas para a entrega do documento. A decisão também proíbe Flávio de se comunicar com seu amigo Willer Tomaz.

O ministro é relator do processo em que o senador e seu amigo Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro em um suposto esquema que envolveria empresas de Tomaz e casas de aposta.

"Nunca pensei em deixar o país"
Em vídeo publicado nas redes sociais ontem, Flávio disse que nunca pensou em sair do país.

Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar.

Segundo ele, a decisão de Moraes, que está sob sigilo, cita uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que sugeriu que Flávio saísse do país caso perdesse a eleição.

Investigações
Flávio é investigado em dois inquéritos criminais no STF. Como senador, ele tem foro especial até fevereiro. Se tivesse sido eleito presidente, o prazo seria estendido por mais quatro anos, durante todo o mandato à frente do Executivo federal.

Um dos inquéritos se refere ao pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O valor seria usado para financiar o filme "Dark Horse", sobre a trajetória do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio e Vorcaro são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Como revelado pelo The Intercept Brasil, o senador negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões com o ex-banqueiro para a produção do filme. O dinheiro foi transferidos para um fundo nos Estados Unidos ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Flávio nega irregularidades e afirma que a cinebiografia só tem dinheiro privado obtido legalmente.

O outro inquérito trata da relação do senador com seu amigo Willer Tomaz. O advogado teve o celular apreendido na investigação sobre fraudes no INSS e a análise do aparelho mostrou movimentações financeiras suspeitas. Foi nesse inquérito que Moraes ordenou a entrega do passaporte.

Como revelou o UOL, e-mails obtidos pela PF indicam que Willer Tomaz dividia uma conta no banco Santander com Flávio Bolsonaro. Em uma das mensagens, o senador é apontado como "usuário master", credencial que, na prática, permite que mais de uma pessoa ou empresa administre a conta e movimente valores de forma conjunta. Em nota oficial, ambos negaram que dividiram a conta.

Willer detém a maioria das ações da companhia portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, a empresa que controla a casa de apostas BestBet. Uma reportagem da revista Piauí revelou que Flávio foi sócio oculto dessa bet.

Fonte: Uol