Valor pedido para filme de Bolsonaro supera orçamento de indicados ao Oscar
Os R$ 134 milhões solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), superam os orçamentos somados de "Ainda Estou Aqui" e "O Agente Secreto", filmes brasileiros indicados ao Oscar nos últimos dois anos
Em nota, Flávio confirmou que pediu dinheiro para realização de "Dark Horse". "O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", afirmou Flávio, que é pré-candidato à presidência da República.
Lei Rouanet não financia produção de longas-metragens no país. A lei de incentivo fiscal à cultura, criada durante o governo de Fernando Collor, em 1991, prevê abatimento do imposto pago por empresas que financiam projetos artísticos e culturais. No caso dos longas-metragens, os mecanismos equivalentes são a Lei do Audiovisual e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
Indicado ao Oscar em 2026, "O Agente Secreto" captou R$ 7,5 milhões do FSA em sua fase de produção, segundo a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Ao todo, o filme custou R$ 28 milhões: R$ 9 milhões vieram de financiadores internacionais. Para a etapa de distribuição do longa, o FSA contribuiu com mais R$ 750 mil.
Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2025, "Ainda Estou Aqui" não captou recursos por leis de incentivo. Por isso, os realizadores não precisaram informar à Ancine o orçamento do filme.Uma reportagem da Folha de S.Paulo de fevereiro de 2025 informa que a quantia era estimada em R$ 45 milhões — sem contar as verbas de distribuição e divulgação.
Montante de R$ 134 milhões não representa orçamento total de "Dark Horse". O UOL apurou que essa quantia seria apenas o aporte de Vorcaro para realização da obra, que poderia vir a custar mais do que isso. O custo total do filme não consta entre os dados divulgadas hoje pela imprensa e confirmados pelo UOL.
Entenda o caso
Os áudios obtidos pelo site Intercept e confirmados pelo UOL mostram cobrança de Flávio a Vorcaro. Em uma das gravações, de novembro de 2025, o senador diz ao banqueiro que as parcelas estão atrasadas e que está "em um momento decisivo do filme". A conversa aconteceu um dia antes de Vorcaro ser preso.
Pelo menos 10,6 milhões de dólares foram sido pagos entre fevereiro e maio de 2025. Segundo o site, parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas (EUA) e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
O deputado Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também teriam participado da negociação, segundo o Intercept. Além deles, o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, teria sido o responsável por marcar os primeiros encontros entre Flávio e Vorcaro.
Entre aliados, avaliação é que episódio reforça o slogan "Bolsomaster". À Folha, pessoas próximas à pré-campanha de Flávio afirmaram que as circunstâncias e valores envolvidos devem ter um impacto "muito ruim" em relação aos planos do senador para outubro.
Procurado pelo UOL, Eduardo não retornou os contatos da reportagem. Já Frias afirmou que "manteve conversas privadas com diversos empresários e potenciais apoiadores ao longo do desenvolvimento do projeto cinematográfico, entre eles Daniel Vorcaro" — mas negou irregularidades nas negociações.
As mensagens divulgadas refletem tratativas legítimas relacionadas ao desenvolvimento de uma obra audiovisual independente, sem qualquer irregularidade
Mário Frias (PL-SP), deputado federal.
Fonte: UOL



