Sob a lua de Copacabana, Shakira reúne sua alcateia em noite histórica

Com repertório reformulado, participações especiais e uma entrega física intensa, a cantora transformou a Praia de Copacabana em celebração de sua trajetória, da latinidade e da força feminina.

Sob a lua de Copacabana, Shakira reúne sua alcateia em noite histórica
Shakira na abertura do show no Rio de Janeiro — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Antes de subir ao palco da Praia de Copacabana neste sábado (2), Shakira já sabia a dimensão do que encontraria no Rio.

Depois de um show histórico no Zócalo, México, ela chegou a Copacabana para mais um capítulo marcante de sua trajetória. Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), a apresentação reuniu 2 milhões de pessoas.

O roteiro era familiar para os fãs brasileiros, mas não idêntico. Depois de trazer a turnê "Las Mujeres Ya No Lloran" ao país em 2025, a cantora promoveu ajustes no repertório para a escala monumental de Copacabana.

Na esteira das passagens de Lady Gaga e Madonna, Shakira sabia o peso simbólico dessa apresentação. Nas semanas que antecederam o show, alimentou a expectativa dos fãs nas redes sociais, definiu a noite como um sonho e escreveu um artigo para o jornal O Globo em homenagem à força das mulheres latinas.

Apesar do atraso de mais de uma hora, o público não desanimou. O maior trunfo da apresentação esteve na energia física da artista: ela conduziu a plateia com tanta intensidade que era difícil resistir ao impulso de dançar.

A abertura com "La Fuerte" já antecipava o clima do espetáculo: uma faixa eletrônica pulsante que serviu como declaração de intenções. Na sequência, "Girl Like Me" reforçou uma das marcas da noite: a celebração das mulheres, especialmente das latinas.

O ritmo seguiu com "Las de la Intuición" e "Estoy Aquí", embora esta última tenha aparecido em versão reduzida — breve demais para um dos hits mais queridos pelo público brasileiro.

Shakira se apresenta na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Shakira se apresenta na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. — Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

“Eu não posso acreditar que estou com vocês. Pensar que cheguei aqui com 18 anos… E agora olha isso. A vida é mágica. Não existe coisa melhor do que uma lobinha encontrar sua alcateia brasileira”, disse Shakira, antes de engatar "Empire" e "Inevitable", faixa em que exibiu sua potência vocal.

O clima esquentou com o medley de "Copa Vacía", "La Bicicleta" e "La Tortura", uma síntese da latinidade que atravessa sua obra. São hits que sustentariam performances inteiras, mas um repertório tão extenso exige concessões.

Como era esperado, o ápice da dança veio com "Hips Don't Lie", quando seus quadris voltaram a justificar a fama construída ao longo de décadas.

Para alegria dos fãs, a colombiana inseriu "Loca" e "Can't Remember to Forget You", músicas que não são muito frequentes nos setlists dos shows mais recentes.

Homenagens às mães solos

"No Brasil existem mais de 20 milhões de mães solteiras, eu sou umas delas. Eu dedico esse show a todas elas", falou na introdução de "Soltera".

Quando chegou a vez de apresentar Anitta, Shakira a chamou de "rainha". Essa foi a primeira vez que elas se cantaram juntas ao vivo "Choka Choka".

Shakira e Anitta no Todo Mundo no Rio 2026 — Foto: TV Globo

Shakira e Anitta no Todo Mundo no Rio 2026 — Foto: TV Globo

Antes da loba, existiu a roqueira de cabelos pretos e, em um show desse porte, era impossível deixar os clássicos dos anos 90 de fora. Foi nesse momento que a cantora apostou na memória afetiva dos fãs, exibindo nos telões imagens do início de sua carreira.

Ela engatou "Pies Descalzos, Sueños Blancos" e "Antología", em uma versão acústica. Ela até tentou pedir ajuda para o público cantar, mas o público demorou a responder, e o clima esfriou por alguns instantes.

Santo Amaro no palco

Ter participações especiais em megashows não é novidade. Mas a presença de Caetano Veloso e Maria Bethânia pegou o público de surpresa já nos ensaios.

Sonho de Shakira de cantar com Caetano Veloso se realiza diante de milhões quase 30 anos após entrevista. — Foto: Dilson Silva / Agnews

Sonho de Shakira de cantar com Caetano Veloso se realiza diante de milhões quase 30 anos após entrevista. — Foto: Dilson Silva / Agnews

Ao lado de Bethânia e dos integrantes da bateria da Unidos da Tijuca, Shakira cantou “O Que É, O Que É?” (1982), um dos maiores sucessos de Gonzaguinha. Já o encontro com Caetano emocionou ao cantar “Leãozinho", música que a colombiana entoa para o filho Milan dormir.

Shakira e Maria Bethânia se apresentam durante o show da pop estar colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Shakira e Maria Bethânia se apresentam durante o show da pop estar colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Mauro Pimentel/AFP

Repetindo o Rock in Rio de 2011, Shakira voltou a dividir o palco com Ivete Sangalo cantando "Pais Tropical". Claro que a baiana transformou a breve participação em uma mini micareta.

Shakira e Ivete Sangalo se abraçam durante o show da estrela pop colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Daniel Ramalho/AFP

Shakira e Ivete Sangalo se abraçam durante o show da estrela pop colombiana na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026 — Foto: Daniel Ramalho/AFP

Superadas as baladas e a carga emocional, a reta final elevou novamente a temperatura com "Whenever, Wherever" e o hino da 2010 FIFA World Cup, "Waka Waka (This Time for Africa)", com o influenciador do Complexo da Maré Raphael Vicente.

Shakira veste look com bandeira do Brasil — Foto: TV Globo

Shakira veste look com bandeira do Brasil — Foto: TV Globo

As areias de Copacabana se transformaram em uma floresta de lobas, uivando em coro enquanto os mandamentos da loba eram projetados nos telões e uma estrutura gigantesca de lobo invadia o palco. Até que a loba-mor surgiu para cantar "She Wolf" e "Bzrp Music Sessions, Vol. 53".

Após mais de duas horas de show, ficou a certeza de que Shakira mantém um domínio de palco impressionante e uma voz que ainda carrega a força da jovem de 19 anos que conquistou o Brasil há quase três décadas.

Se Copacabana é, como a própria artista definiu, um altar da Terra, essa noite ela ocupou o centro dele, reverenciada por uma multidão de súditos da loba. 

Por: G1