Justiça italiana mantém prisão de Carla Zambelli após audiência de custódia

Deputada afirmou que não pretende retornar ao Brasil e quer passar por um novo julgamento na Itália

Justiça italiana mantém prisão de Carla Zambelli após audiência de custódia
Deputada Federal Carla Zambelli no Congresso Nacional — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

Após passar por audiência de custódia nesta sexta-feira, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) permanecerá presa durante o processo de extradição movido contra ela pela Justiça brasileira. A informação foi confirmada ao GLOBO pela Embaixada do Brasil na Itália e por integrantes da Polícia Federal.

Durante a sessão, Zambelli, que tem cidadania italiana, declarou-se inocente e uma vítima de perseguição política. Ela também disse que não pretende retornar ao Brasil e quer passar por um novo julgamento na Itália. A Justiça decidiu manter a prisão provisória da parlamentar, que está reclusa na penitenciária fedeminina de Rebibbia, na periferia da capital italiana.

A audiência foi conduzida pelo juiz italiano Aldo Morgigni, da Corte de Apelação de Roma. Ela estava acompanhada do advogado italiano Pieremilio Sammarco, que frisou durante a sessão que ela não oferece risco de fuga.

Considerada como fugitiva pela Justiça brasileira, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão por falsidade ideológica e invasão cibernética ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - o que motivou o seu pedido de extradição apresentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa da deputada e o Partido Liberal acionaram autoridades italianas para tentar barrar a extradição. Após a audiência de custódia, o processo segue agora para a Corte de Apelação de Roma, onde a Justiça italiana e os advogados de Zambelli apresentarão seus argumentos. A decisão ainda pode ser contestada na Corte de Cassação, instância máxima do Judiciário italiano.

Mesmo com aval do Judiciário, a palavra final cabe ao Ministério da Justiça da Itália, que pode negar a extradição por motivos políticos. O atual governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, tem afinidade ideológica com setores da base de apoio de Zambelli, o que pode pesar na análise final do caso. Em caso de autorização da extradição, a defesa ainda poderá recorrer à Justiça administrativa, em instâncias como o Tribunal Administrativo Regional e o Conselho de Estado.

Especialistas avaliam que o processo pode se estender por até dois anos, embora exista a possibilidade de Zambelli ser solta antes, especialmente se houver entraves de natureza política. Casos de extradição costumam envolver disputas prolongadas e forte influência de interesses governamentais — como ocorreu no Brasil durante o processo envolvendo Cesare Battisti.

Fonte: Globo.com