Granado dá um salto em perfumaria e pode tirar do papel projeto de segunda fábrica até 2030

Grupo tem crescimento anual de 46% em fragrâncias, com segmento superando 50?s vendas em algumas lojas da marca

Granado dá um salto em perfumaria e pode tirar do papel projeto de segunda fábrica até 2030
Sissi Freeman, diretora de Marketing e Vendas da Granado — Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Do Rock in Rio ao Festival de Cannes, da SP-Arte a camarotes no carnaval de Salvador. A Granado vem colando sua marca em eventos no Brasil e no exterior. Não é por acaso. A botica carioca centenária, que fez fama com seus sabonetes glicerinados e o tradicional Polvilho Antisséptico, vem dando um salto em perfumaria, com crescimento anual superior a 46% no segmento.

Na rede de lojas exclusivas da marca, há filiais em que os perfumes já abocanham mais da metade das vendas. Na média, ficam em 35%. Nesse pique, conta Sissi Freeman, diretora de Marketing e Vendas do grupo, a Granado terá de tirar uma segunda fábrica de perfumes do papel antes de 2030:

— Seguindo no ritmo atual, iniciaremos a construção de uma nova fábrica de perfumes até 2030. Para se ter uma ideia do volume produzido, em 2021, produzimos 700 mil unidades de fragrâncias. Em 2026, produziremos próximo a 7 milhões de unidades, um crescimento de 10 vezes em apenas cinco anos.

O complexo fabril da Granado fica em Japeri, na Baixada Fluminense, de onde saem mais de 270 milhões de unidades de mais de mil produtos diferentes por ano. A divisão de perfumes opera há uma década. Em 2022, ela ganhou uma segunda linha de produção. Há dois anos, passou por uma expansão de capacidade, hoje de 10 milhões de unidades anuais. E já há uma terceira linha contratada para chegar em abril de 2027.

Segundo mercado global

Com uma rede de 144 lojas — e 25 inaugurações previstas para o ano que vem —, a Granado vem traduzindo a aposta em internacionalização, com a diversificação de portfólio, a exposição e experiência de marca em eventos, acrescida de olhar atento para o segmento mais premium, aí incluída a perfumaria, em resultado.

A meta era repetir, neste ano, o crescimento de 13% no faturamento de 2025. Até aqui, no acumulado de 2026, a expansão já alcançou 15%, levando a receita da companhia a ultrapassar R$ 2 bilhões.

— A gente tem um portfólio muito grande e acredita que para a saúde financeira da empresa é muito bom não ser dependente só de um produto, só de uma linha — defende ela. — Tem gente que fala: “Granado tem em qualquer supermercado, não é luxo”. Mas, se for olhar, um dos sabonetes mais caros é o da Granado. E, a linha de perfumaria, a gente não vende no supermercado nem na farmácia. Somos uma marca que consegue ter uma distribuição desde o supermercado até uma Harvey Nichols e uma Liberty, em Londres.

A Granado tem 11 pontos de venda próprios no exterior, em cidades como Londres, Paris, Nova York e, desde o mês passado, Madri, além de estar em lojas de departamento. Avança ainda em experiências gastronômicas para promover novas fragrâncias, como faz agora com a Figo Confit e a Framboesa Noir no nova-iorquino Café Bilboquet.

De olho nesse segmento, nos próximos dias 21 e 22, a Granado vai fazer do Rio ponto de encontro do setor de perfumaria com um evento próprio. A primeira edição da Granado Perfume Week, no EXC Jockey Club, reunirá as grandes casas de fragrância globais e seus perfumistas, fabricantes de perfumaria de nicho, painéis, oportunidades de negócios e exposição de fragrâncias históricas — a exemplo da versão original do Chanel Nº 5 e da Kyphi, de 2.000 a.C.

A trilha da Granado em perfumaria se abriu em 2013, quando a marca desembarcou em Paris em meio a um evento em homenagem ao Brasil. O Le Bon Marché pediu um produto exclusivo, marcando a criação do eau de toilette Carioca.

Mas somente em 2020, conta a executiva, quando a marca completou 150 anos, foi criada uma linha de perfumes inspirada no “DNA da Granado”, explorando ingredientes e aspectos da cultura brasileira. Vieram perfumes como o Imperial, o Amazônico e o Esplendor, entre outros. Este último já está entre os 20 produtos mais vendidos da marca como um todo.

O avanço em perfumaria vem alinhado com a internacionalização da Granado, iniciada há mais de dez anos, sob comando de Sissi. Ela é braço direito do pai, Christopher Freeman, CEO da empresa que comprou em 1994.

A experiência no exterior, conta a diretora, foi mostrando como esses “diferenciais da Granado” eram valorizados lá fora, enquanto no Brasil marcas importadas seguiam sendo vistas como referência. Com o tempo, a entrada na prateleira internacional levou a Granado a receber convites para participar de feiras de perfumaria. Começou essa trilha por Nova York e já passou por Milão, Paris, São Francisco.

— A gente parou para pensar: o Brasil é o segundo maior mercado de perfumaria do mundo. Por que a gente não faz um evento? A gente tem acesso às casas de fragrância, à Paralela (Escola Olfativa), que dá aulas de perfumaria, aos perfumistas, a tanta gente bacana. Por que a gente não cria um evento educativo? — diz Sissi. — Todo ano fazemos um evento para os lançamentos de Natal, então, já tínhamos orçamento.

O Brasil é o segundo maior mercado de perfumes do mundo. No ano passado, somou US$ 9 bilhões em valor, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, com US$ 16,4 bilhões, segundo dados da consultoria Euromonitor International. Mas tem mais: o segmento no Brasil está crescendo acima da média global. Enquanto a perfumaria deverá avançar 24,2% globalmente entre 2025 e 2028, por aqui, a expansão estimada para o período é de 29,2%.

— Tem muita gente olhando para o Brasil, veio a onda de perfumaria árabe. Tudo está ajudando as pessoas a terem mais um perfume, a serem mais abertas a algumas notas olfativas de que antes não gostavam, a serem mais criteriosas no que compram e a mudar muito de gosto — pondera ela.

‘Ditar tendência’

Givaudan, Mane, Dsm-Firmenich, Symrise estarão no evento da Granado. O consumidor pode até não ligar o nome à fragrância, mas essas casas estão por trás dos ingredientes de muitos dos perfumes que ele escolhe usar. Elas vendem matérias-primas umas para as outras, conta Sissi, guardando algumas como exclusivas por alguns anos. Depois, liberam essa restrição e vão desenvolvendo novidades.

— Através dessas casas se tem acesso a essas matérias-primas, aos melhores perfumistas do mundo. E, com isso, também se consegue estar atualizado com as tendências. Mas também permite começar a ditar tendências trabalhando com eles em algumas criações diferentes — defende. — Com a banana, quando lançamos Yes, nós temos banana! (no início de 2026), conseguimos estar junto dessa tendência que agora está explodindo. É estar ditando versus seguindo uma tendência.

Perto de 14 perfumarias autorais, como Amyi, Lenvie e ByNomad, também estarão presentes, num esforço para abrir espaço a negócios de nicho e menor porte a um público mais amplo e a compradores. Haverá palestras, painéis e workshops, além de experiências olfativas e visitas à fábrica da Granado.

Um destaque será uma mostra trazida pela Osmothèque, conservatório internacional dos perfumes, fundado em 1990 em Versalhes. Com ela, virá uma exposição com 25 fragrâncias históricas para os visitantes conhecerem, como o Chanel Nº 5 de 1921 e o perfume usado por Napoleão Bonaparte. Sissi explica que muitas fragrâncias não podem mais ser comercializadas em suas formulações originais por não estarem em conformidade com as regras vigentes.

Fonte: Globo.com