Governador Roberto Cidade coordena reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e intensifica ações para o período de estiagem
Na oportunidade, Governo do Estado, por meio da Defesa Civil, alertou para os possíveis impactos do fenômeno El Niño no estado
O governador Roberto Cidade coordenou, nesta quarta-feira (17/06), a reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e intensificou o monitoramento e ações de preparação para o período de estiagem. Na oportunidade, o Governo do Amazonas, por meio da Defesa Civil, reforçou a atenção para a possibilidade de uma vazante mais intensa no segundo semestre de 2026, associada à formação do fenômeno El Niño e seus possíveis impactos sobre a Região Amazônica.
“Estamos nos antecipando à seca deste ano, que será muito próxima a que aconteceu em 2023. Hoje, nós estamos preparados e tomamos medidas para minimizar o sofrimento da nossa população, nos mais longínquos municípios e comunidades, e nos reunimos para que possamos buscar apoio do Governo Federal, de governos internacionais, porque é um evento climático que acontecerá no mundo todo”, destacou o governador Roberto Cidade.
Durante a reunião, o governador determinou que o comitê reúna todos os secretários municipais de Defesa Civil e prefeitos do Amazonas para apresentar a projeção dos impactos que o fenômeno climático pode impactar no Amazonas, no segundo semestre.
"A próxima reunião que seja com os prefeitos, sobretudo, dos 19 municípios que serão mais impactados pela estiagem", acrescentou.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou recentemente um informativo indicando condições favoráveis para o desenvolvimento de um novo evento de El Niño durante o segundo semestre de 2026. As projeções apontam probabilidade superior a 80% de estabelecimento do fenômeno, com possibilidade de persistência até 2027.
O Governo do Amazonas já realiza, desde abril, reuniões técnicas e ações de planejamento com órgãos públicos, instituições privadas e municípios para reduzir os impactos da seca sobre a população. No dia 11 de junho, o governador Roberto Cidade apresentou o decreto de Estado de Emergência Climática e Ambiental em caráter preventivo no Amazonas, pelo período de 180 dias. A medida tem como objetivo preparar o Estado para os possíveis impactos provocados pelo fenômeno El Niño, antecipando ações de prevenção, mitigação e assistência à população em áreas que possam ser afetadas pelos efeitos da estiagem severa.
O secretário de Estado de Defesa Civil do Amazonas, coronel Clóvis Araújo, afirmou que as medidas preventivas e coordenadas têm como objetivo minimizar os efeitos da seca, especialmente nas comunidades que dependem dos rios como principal meio de transporte e acesso a serviços essenciais.
“Temos a certeza de que as providências tomadas, as orientações do governador, em que o foco principal é levar ajuda às pessoas que irão precisar neste momento difícil, estão sendo feitas. Essa antecipação é uma preocupação constante do governador, porque, como ele bem falou, os nossos rios são as nossas estradas e se os rios estão secos, temos dificuldades de chegar em muitas regiões do nosso estado”, declarou.
O governador também lançou, no final de maio, a operação Amazonas + Verde e entregou novos equipamentos destinados ao fortalecimento das ações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). A iniciativa amplia a capacidade operacional da corporação no combate aos incêndios florestais, especialmente durante o período de estiagem, com o reforço e ampliação das unidades dos bombeiros no interior.
Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes da corporação mais que dobrou, passando de 11 para 24 cidades. Com a inauguração da unidade em Manicoré, o Amazonas chegou a um crescimento de 118% no número de bases.
“Os nossos eixos de atuação são o enfrentamento aos ilícitos ambientais e educação ambiental. Nós já enviamos bombeiros militares que estão fazendo contato com as comunidades rurais e indígenas, e com as escolas para prevenir a incidência de queimadas ilegais. Nós também ampliamos a capacidade de resposta a incêndios florestais. Ao todo, durante todo período, nós empregaremos em torno de 812 servidores, entre bombeiros militares, brigadistas e outros servidores, inclusive dos municípios”, destacou o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz.
El Niño
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Mesmo ocorrendo distante da Amazônia, ele pode influenciar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo.
Na Amazônia, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas e períodos mais prolongados de estiagem, elevando os riscos ambientais e sociais.
Cenário para o Amazonas
Os modelos climáticos indicam a possibilidade de redução expressiva das chuvas, em um período do ano, que normalmente já é de pouca precipitação. Como consequência, os efeitos sobre os níveis dos rios tendem a ser sentidos de forma gradual, mas podem se tornar severos ao longo dos meses.
A diminuição das precipitações afeta diretamente a vazão dos rios, comprometendo a navegabilidade, além de aumentar o risco de isolamento de comunidades ribeirinhas. Essa situação poderá demandar adaptações logísticas no transporte fluvial de pessoas, alimentos, combustíveis e medicamentos.
A Defesa Civil do Amazonas acompanha continuamente os indicadores hidrológicos e meteorológicos, mantendo articulação permanente com os municípios e demais órgãos responsáveis por serviços essenciais.
Outro fator é o aumento do risco de incêndios florestais. A combinação entre escassez de chuvas, altas temperaturas, baixa umidade do ar e vegetação mais seca cria condições favoráveis para a rápida propagação do fogo.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, destacou o fortalecimento do monitoramento ambiental, a integração entre diferentes órgãos públicos e o uso de tecnologias que permitem maior acompanhamento das condições climáticas e da qualidade do ar pela população.
“No monitoramento dessas questões climáticas, a Sema está fazendo um plano de monitoramento e de combate aos incêndios florestais, junto com o Corpo de Bombeiros, junto com os municípios, junto com o Governo Federal, para que a gente possa ter uma ação integrada. Já tem um aplicativo para que a população possa acompanhar em tempo real a qualidade do ar para se prevenir. E o combate antecipado também ao desmatamento ilegal no estado, que tivemos uma redução histórica esse ano. Então hoje temos uma condição muito melhor para dar uma resposta à altura dessa estiagem severa que provavelmente nós vamos enfrentar”, assinalou.
Orientações
Nesse contexto, queimadas para limpeza de áreas, descarte inadequado de resíduos ou qualquer uso indevido do fogo podem desencadear incêndios de grandes proporções, causando danos ambientais, prejuízos econômicos e agravamento da qualidade do ar.
A Defesa Civil do Amazonas orienta a população, especialmente moradores de áreas ribeirinhas e regiões que podem enfrentar dificuldades de acesso durante a estiagem, a adotar medidas preventivas, como:
- Utilizar a água de forma consciente e manter reservas adequadas para consumo;
- Planejar o abastecimento de alimentos não perecíveis e medicamentos de uso contínuo;
- Acompanhar os avisos e orientações dos órgãos oficiais;
- Evitar qualquer tipo de queimada ou uso do fogo em áreas urbanas e rurais;
- Avaliar, quando necessário, alternativas de deslocamento temporário para locais com melhor acesso a serviços essenciais, especialmente no caso de gestantes, idosos, crianças e pessoas com necessidades de saúde específicas.
O Governo do Amazonas segue monitorando a evolução das condições climáticas e reforçando as ações de prevenção, preparação e resposta para minimizar os impactos da estiagem e garantir maior segurança à população amazonense.
Fotos: Alex Gomes/Secom



