Em conversa por telefone, Lula diz a Trump que alegações dos EUA para tarifaço são 'infundadas'

Presidentes conversaram por 1 hora e 20 minutos. Segundo o Planalto, tom do diálogo foi 'cordial' e Lula afirmou a Trump que 'seguir na mesa de negociação é melhor opção' para os países.

Em conversa por telefone, Lula diz a Trump que alegações dos EUA para tarifaço são 'infundadas'
Donald Trump e Lula em imagem de arquivo — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images/Via BBC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) conversou por telefone, na manhã desta sexta-feira (21), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Ao longo de 1 hora e 20 minutos de diálogo, descrito pelo Palácio do Planalto como de tom "amistoso e cordial", Lulaafirmou que as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são "infundadas".

As novas barreiras comerciais haviam sido determinadas com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

O governo norte-americano fundamentou as medidas em tópicos como desmatamento, combate à corrupção, funcionamento do PIX, mercado de etanol e supostas importações de produtos ligados a trabalho forçado. Esses pontos, conforme o Planalto, foram integralmente rebatidos pelo presidente brasileiro durante o telefonema.

Lula pontuou que as tarifas afetam negativamente a economia de ambos os países e ressaltou que a manutenção das negociações é o melhor caminho bilateral.

Segundo o Planalto, Donald Trump concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e sugeriu que as equipes técnicas dos dois governos voltem a se reunir o mais brevemente possível.

Crime organizado

Durante a ligação, segundo o governo, o presidente brasileiro reiterou o interesse do país em cooperar com Washington no enfrentamento ao crime organizado.

Lula destacou a visão do governo brasileiro sobre as facções criminosas. E argumentou que, embora grupos criminosos imponham terror cotidiano às populações mais vulneráveis, não se confundem com organizações terroristas.

O Planalto disse que o petista informou sobre a estratégia de estrangulamento financeiro das facções, que já gerou a apreensão de cerca de R$ 17 bilhões.

E também citou, na conversa, o plano de converter 138 unidades prisionais em presídios de segurança máxima.

Lula mencionou ainda a aprovação da Lei Antifacção e a proposta de emenda à Constituição (PEC), em análise no Congresso, para ampliar a atuação da União na segurança pública em conjunto com os estados.

O petista citou também a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que integra autoridades policiais de todos os países da bacia amazônica.

Em resposta, Trump manifestou disposição em fortalecer a cooperação e indicou que encarregará funcionários de alto escalão para avançar nas tratativas do setor.

Metrópoles