Refinaria da Amazônia volta a aumentar preço da gasolina para distribuidoras e valor chega a R$ 4,17

Reajuste representa um aumento de R$ 0,21 em comparação ao valor anterior, segundo dados disponibilizados no site da refinaria. Mudança vale a partir de sexta-feira (3).

Refinaria da Amazônia volta a aumentar preço da gasolina para distribuidoras e valor chega a R$ 4,17
Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris. — Foto: Alain Jocard/AFP

Após a redução anunciada no fim de março, a Refinaria da Amazônia (Ream) voltou a aumentar o preço do litro da gasolina vendido às distribuidoras no Amazonas. O novo valor passa a valer nesta sexta-feira (3) e chega a R$ 4,17 por litro, um aumento de R$ 0,21 em comparação ao valor anterior, segundo dados disponibilizados no site da refinaria.

De acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira (2), o litro da gasolina na modalidade EXA (Entrega a Serviço da Compradora) subiu de R$ 3,96 para R$ 4,17. Já na modalidade LPA (Livre para o Armazém), o valor passou de R$ 3,97 para R$ 4,17.

As duas formas de comercialização diferem pela responsabilidade no transporte do combustível. No modelo EXA, a distribuidora é responsável pela retirada do produto, assumindo custos e riscos. Já no modelo LPA, a entrega é feita pela refinaria, com o frete incluído no preço.

O aumento ocorre menos de dez dias após a queda de R$ 0,35 no valor do combustível, anunciada em 25 de março, quando os preços recuaram de R$ 4,32 para R$ 3,96 (EXA) e R$ 3,97 (LPA).

Por meio de nota a REAM informou que, diante da escalada dos conflitos no Oriente Médio e da alta nos preços internacionais do petróleo e derivados, não atua de forma isolada no abastecimento nem na formação de preços dos combustíveis no Amazonas. A empresa responde por cerca de 30% do volume comercializado nos postos do estado e 5% na Região Norte, enquanto o restante é suprido por Petrobras, importadores e operadores logísticos.

A refinaria destacou que mantém suas operações para garantir o fornecimento e reduzir riscos de desabastecimento, mas lembrou que sua planta, construída na década de 1950, exige a importação de insumos para a formulação de gasolina e diesel dentro das especificações brasileiras.

Segundo a REAM, tanto o petróleo refinado quanto os insumos importados são adquiridos em dólar e seguem indicadores internacionais, como o Brent. Desde o início dos conflitos, em 28 de fevereiro, os preços da gasolina e do diesel no mercado externo subiram 36% e 65%, respectivamente, enquanto o barril de petróleo avançou de US$ 73 para US$ 110.

Com a nova alta, o preço da gasolina vendida à distribuidoras volta ao patamar acima dos R$ 4,00, após oscilações registradas ao longo de março. Este é o sexto reajuste seguido praticado pela Ream em 2026, marcado por sucessivas altas e quedas em curto intervalo de tempo. 

A variação nos preços nas refinarias costuma impactar diretamente o valor final ao consumidor, podendo resultar em aumento nas bombas dos postos de combustíveis nos próximos dias.

Aumento no preço do diesel

Além da gasolina, a tabela mais recente da Ream também aponta aumento no preço do diesel vendido às distribuidoras em Manaus.

Os dados indicam que o valor do combustível teve alta ao longo de março, saindo de R$ 5,09 no dia 6 para R$ 5,69 em 13 de março, o maior valor cobrado no ano, até então.

A atualização mais recente, de 3 de abril, mantém o diesel em patamar elevado, consolidando a tendência de alta no período, com o valor de venda a R$ 6,60.

Para tentar reduzir o impacto ao consumidor, o Amazonas e outros 20 estados já indicaram adesão à proposta do governo federal que prevê uma subvenção (subsídio) a importadores de diesel para conter a alta do preço do combustível no país, segundo levantamento do g1.

Pela proposta apresentada aos governadores, o governo federal pretende conceder uma subvenção aos importadores de diesel. O benefício seria de R$ 1,20 por litro até o fim de maio, dividido igualmente entre União e estados, com R$ 0,60 para cada parte.

O acordo teria validade de dois meses e, nesse período, a perda estimada de arrecadação para os estados é de cerca de R$ 1,5 bilhão. A compensação será feita por meio da retenção de parte do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de cada unidade da federação.

Nesse modelo, os estados não precisariam zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) — diferentemente da proposta inicial, que previa a redução do imposto sobre o diesel.

Aumento em postos de Manaus

Pela segunda vez em menos de um mês, o preço do litro do combustível aumentou e passou de R$ 7,29 para R$ 7,59 nos principais postos da capital amazonense. A mudança começou a ser percebida desde 22 de março.

Além da gasolina comum, a versão aditivada do combustível também teve aumento, saindo de R$ 7,49 para R$ 7,79.

A mudança surpreendeu motoristas pela falta de aviso prévio e pelo curto intervalo entre os aumentos. Até 6 de março, o litro da gasolina comum em Manaus era vendida para o consumidor final a R$ 6,99. No dia 7 de março, houve o primeiro aumento, também de R$ 0,30. O valor mantido por apenas 15 dias, até o aumento mais recente.

Gasolina em Manaus é a terceira mais cara entre as capitais

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina em Manaus já vinha em alta desde o início de 2026. Na primeira semana de janeiro, o preço médio do litro chegou a R$ 6,98, segundo levantamento da ANP.

No ranking nacional daquele período, Rio Branco, no Acre, liderava com gasolina a R$ 7,24, seguida por Porto Velho, em Rondônia, com R$ 7,09. Manaus aparecia em terceiro lugar, com média de R$ 6,98 por litro.

A capital amazonense também registrava um dos etanóis mais caros do país, com média de R$ 5,49, empatada com Porto Velho.

Especialistas apontam que fatores como custos logísticos na região, preços nas refinarias e impostos estaduais, como o ICMS, ajudam a explicar os valores mais altos na região Norte.

Fonte: G1