Júri dos EUA manda Meta pagar US$ 375 milhões em processo sobre exploração sexual infantil
Estado do Novo México acusa a empresa de expor adolescentes a riscos nas redes. Caso pode influenciar ações semelhantes nos EUA.
A ação foi movida pelo procurador-geral do Novo México, Raúl Torrez, que acusou a empresa de enganar usuários sobre a segurança de suas plataformas e de permitir a exploração sexual infantil.
O procurador-geral Raúl Torrez, democrata, afirmou no processo que a empresa permitiu que predadores tivessem acesso irrestrito a usuários menores de idade e os conectassem a vítimas. Segundo ele, isso muitas vezes resultou em abusos no mundo real e tráfico de pessoas.
A Meta negou as acusações, afirmando que possui amplas medidas de proteção para usuários mais jovens.
Questionamentos na Justiça
Outro julgamento na Califórnia avalia se Meta e YouTube devem ser responsabilizados por causar deliberadamente dependência em crianças.
O caso é visto como um teste importante para o futuro de centenas de ações semelhantes em andamento nos EUA.
Nos últimos anos, a Meta tem enfrentado crescente escrutínio sobre a segurança de crianças e adolescentes.
Parte dessa pressão ganhou força após depoimentos de uma denunciante ao Congresso, em 2021. Ela afirmou que a empresa sabia dos potenciais danos de seus produtos, mas se recusou a agir.
Separadamente, a Meta enfrenta milhares de processos. As ações acusam a empresa — e outras redes sociais — de projetar seus produtos para viciar jovens, contribuindo para uma crise de saúde mental em todo o país.
Alguns desses casos, apresentados em tribunais estaduais e federais, pedem indenizações de dezenas de bilhões de dólares, segundo documentos enviados pela empresa a reguladores.
O processo no Novo México
Essas contas receberam material sexualmente explícito e foram contatadas por adultos em busca de conteúdo semelhante. Segundo o gabinete do procurador-geral, isso levou a acusações criminais contra várias pessoas.
Documentos internos, segundo o estado, reconheciam problemas com exploração sexual e danos à saúde mental. Mesmo assim, diz a ação, a empresa não implementou ferramentas básicas de segurança, como verificação de idade, e continuou a afirmar que as plataformas eram seguras.
O estado também acusou a Meta de projetar suas plataformas para maximizar o engajamento, mesmo diante de evidências de que isso prejudica a saúde mental de crianças.
Recursos como rolagem infinita e reprodução automática de vídeos mantêm os jovens conectados por mais tempo, estimulando comportamentos viciantes que podem levar à depressão, ansiedade e automutilação, segundo o processo.
O caso buscava indenização financeira e uma ordem para que a Meta implementasse mudanças voltadas a melhorar a segurança das crianças nas plataformas.
“Ao longo de uma década, a Meta falhou repetidamente em agir com honestidade e transparência”, disse Linda Singer, advogada do estado, ao júri, durante as alegações finais na segunda-feira. “Falhou em proteger os jovens deste estado. Cabe a vocês concluir esse trabalho.”
A Meta argumentou que foi transparente ao reconhecer que não consegue impedir todo o conteúdo prejudicial em suas plataformas.
Em maio, o juiz Bryan Biedscheid, responsável pelo caso, deve conduzir um julgamento sem júri sobre a alegação do estado de que a Meta criou um incômodo público, prejudicando a saúde e a segurança dos moradores.
O estado pedirá que o juiz determine mudanças nas plataformas para adequá-las à legislação estadual.
Fonte: G1



