Europa enfrenta onda de calor com mortes, temperaturas recordes e impactos na economia

Com cerca de mil mortes acima do esperado na França, temperaturas recordes em diferentes países e impactos sobre hospitais, infraestrutura e geração de energia, episódio reforça alertas para os efeitos das mudanças climáticas.

Europa enfrenta onda de calor com mortes, temperaturas recordes e impactos na economia
Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

Mais de 1,3 mil mortes acima do esperado foram atribuídas à onda de calor que atinge a Europa, informou neste domingo (28) a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, cerca de 150 milhões de pessoas vivem atualmente sob condições de calor extremo, que já pressionam os sistemas de saúde, afetam a infraestrutura e sobrecarregam as redes elétricas em diferentes países.

Nas redes sociais, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização atua em conjunto com países e parceiros para enfrentar os impactos do calor extremo. Ele destacou que a estratégia está centrada em três eixos: preparação, prevenção e fortalecimento das respostas dos sistemas de saúde.

Cientistas apontam que este já é o episódio de calor mais intenso registrado no continente. Desde 20 de junho, o calor extremo também levou vários países a registrar temperaturas recordes.

Na França, os termômetros ultrapassaram os 40°C em diferentes regiões ao longo da semana, e já há registros de mortes associadas às altas temperaturas (veja mais abaixo).

Na Alemanha, a temperatura chegou a 41,5°C no sábado, a maior já medida no país. O serviço meteorológico alemão ainda alertou que os termômetros poderiam se aproximar dos 42°C.

Na República Tcheca, a temperatura chegou a 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar os 41°C neste domingo. Em Basileia, na Suíça, os termômetros marcaram 39°C, estabelecendo pelo terceiro dia seguido um novo recorde para o mês de junho.

Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.

Hospitais, transporte e energia são afetados

Na França, a agência de saúde pública registrou cerca de mil mortes acima do esperado desde 24 de junho. A maior parte das vítimas tinha mais de 65 anos, e houve aumento das mortes em domicílio, principalmente na região de Paris.

A ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, afirmou ao jornal "La Tribune" que os efeitos do calor extremo podem continuar sendo sentidos por até dez dias, mesmo após a queda das temperaturas. Em entrevista à emissora "BFM", ela alertou que "o episódio ainda não acabou".

Na Espanha, 212 mortes registradas em um intervalo de quatro dias também foram associadas ao calor extremo.

Em diferentes países, hospitais, serviços de emergência e autoridades locais adotaram medidas para atender ao aumento da demanda e reduzir os riscos à população.

Em Paris e Viena, por exemplo, os atendimentos de emergência aumentaram.

Ao mesmo tempo, festivais, eventos ao ar livre e manifestações foram cancelados, adiados ou adaptados por causa das altas temperaturas e dos alertas meteorológicos.

Os efeitos também chegaram à infraestrutura e ao setor de energia.

Segundo a Reuters, o aquecimento das águas do rio Danúbio levou a usina nuclear de Paks, na Hungria, a reduzir a geração de eletricidade para manter a água usada no resfriamento dos reatores dentro dos limites de segurança.

Na Alemanha, empresas ferroviárias flexibilizaram as regras para cancelamento de viagens devido ao risco de deformação dos trilhos. O calor também provocou rachaduras em trechos de rodovias.

Mudanças climáticas e os riscos econômicos

Além dos impactos imediatos, especialistas alertam para consequências econômicas de longo prazo.

Cientistas avaliam que uma onda de calor dessa magnitude seria praticamente impossível sem o aquecimento global provocado pela ação humana. Além disso, eventos como esses tendem a se tornar mais frequentes, mais duradouros e mais intensos.

????️ O episódio atual foi favorecido por um padrão atmosférico conhecido como "bloqueio ômega", que mantém uma massa de ar quente sobre uma mesma região por vários dias, dificultando a chegada de frentes frias.

Além dos impactos imediatos, especialistas também alertam para os efeitos econômicos das ondas de calor.

Em entrevista à Deutsche Welle, a economista Katharina Utermöhl, pesquisadora de políticas econômicas da seguradora Allianz, afirma que temperaturas acima de 30°C reduzem a produtividade, aumentam o consumo de energia e elevam o número de afastamentos por problemas de saúde.

"Acima de 30 graus, a produtividade cai 3% por grau adicional, enquanto os custos de energia aumentam 1,2% por grau."

Para a economista, o calor extremo deixou de ser apenas um evento climático passageiro e passou a representar um desafio permanente para a economia.

Um estudo da Allianz estima que, se episódios de calor intenso se tornarem mais frequentes, as perdas acumuladas para a economia alemã entre 2026 e 2030 poderão chegar a US$ 131 bilhões.

Fonte: G1