Datafolha: Lula tem 39%, e Flávio Bolsonaro, 35% no 1º turno; rivais empatam no 2º
* Na primeira rodada, Cury tem 6%, seguido de perto por Caiado (4%), Renan Santos (3%) e Zema (2%) * Na segunda, petista tem 46% e senador, 44%; pesquisa foi primeira do instituto após a crise no STF
A primeira pesquisa do Datafolha realizada sob o impacto pleno da crise do Supremo Tribunal Federal mostra uma situação de estabilidade na corrida ao Planalto, com o presidente Lula (PT) marcando 39% no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 35%.
Augusto Cury (Avante) tem 6%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 2%. Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO) têm 1%. Dizem votar voto branco ou nulo 6%, e 4% se dizem indecisos.
Lula tem 39%, e Flávio Bolsonaro, 35% em primeiro turno
Resposta estimulada e única, em %
Margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos
39LulaPT
35Flávio BolsonaroPL
9Outros candidatos
6Augusto CuryAvante
6Branco/nulo
4Ronaldo CaiadoPSD
4Indecisos
Outros candidatos
Fonte: Pesquisa Datafolha contratada pela Globo e pela Folha de S.Paulo, realizada presencialmente com 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em Brasil nos dias 8 e 10 de setembro; margem de erro de 2 p.p. para mais ou para menos. Registro na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-01833/2026
Há uma semana, Lula marcava 38%, ante 33% de Flávio. Já Cury havia subido seis pontos, chegando a 8%.
O resultado é estável para a dupla à frente, mas a distância numérica entre eles é a menor desde maio, tendo passado de 10 para 4 pontos percentuais —o que sugere empate no limite máximo da margem de erro de dois pontos para mais ou menos, com maior probabilidade de Lula estar à frente.
Na votação espontânea, quando o eleitor não vê a lista de candidatos, Lula segue sendo o mais lembrado, passando de 31% para 33% ante a rodada anterior. Flávio foi de 22% para 25% e Cury oscilou de 5% para 3%. Os indecisos estão em 23%, nível mais baixo até aqui.
Já na simulação de segundo turno, o petista teria 46% e o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, 44%. Na rodada anterior, os números eram os mesmos, indicando um empate técnico.
Lula também empata tecnicamente com Augusto Cury, que não havia sido testado ainda num segundo turno. Segundo o Datafolha, o presidente marca 45% e o escritor, 43%. Já o petista triunfa sobre Caiado (46% a 41%), Zema (48% a 39%) e Renan (48% a 37%).
Em termos de herança potencial, o Datafolha aferiu que 39% dos eleitores de Cury votariam em Flávio num segundo turno e 37%, em Lula. Entre aqueles que não se dizem nem petistas, nem bolsonaristas, nova divisão: 34% para o presidente, 38% para o senador.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores de terça-feira (8) a quinta (10) em 125 municípios. O levantamento foi encomendado pela Folha e pela TV Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
Não houve alterações significativas em termos de perfil de eleitorado, embora Flávio tenha novamente invertido o sinal com Lula no Sudeste, região mais populosa com 42% da amostra do Datafolha. Nela, o senador marca 37%, ante 35% do petista; há uma semana, o bolsonarista tinha 34% e o presidente, 36%.
Nos grandes estratos, Lula segue com boa vantagem entre os 28% menos instruídos (52% a 24%), os 49% mais pobres (47% a 27%), os 27% de nordestinos (53% a 25%) e os 50% de católicos (46% a 29%).
Flávio, por sua vez, lidera com mais vantagens entre os 47% com ensino médio (40% a 35%) e os 25% com diploma superior (37% a 30%). Na classe média que ganha de 2 a 5 salários mínimos, 33% da população, bate Lula por 42% a 31%, taxa que sobe acompanhando a renda. Vence entre os 15% de sulistas (40% a 29%), nos 18% moradores do Norte/Centro-Oeste (40% a 32%) e nos 28% de evangélicos (50% a 22%).
PESQUISA É PRIMEIRA COM CRISE NO STF
A pesquisa foi realizada sob o impacto da crise do STF. Ela foi encerrada, contudo, antes da revelação nesta sexta (11) de que Flávio é investigado no inquérito do caso "Dark Horse" e a determinação do fim do sigilo sobre os dados da apuração.
A crise começou com a revelação, pelo ministro André Mendonça, de relatório sigiloso a que Alexandre de Moraes teve acesso no qual são reveladas relações próximas do colega com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master preso sob acusação de comandar a maior fraude financeira da história brasileira.
Moraes revidou questionando os atos do colega formalmente. Mendonça, por sua vez, reagiu determinando o afastamento do chefe da Polícia Federal e do diretor de inteligência do órgão. O presidente da corte, Edson Fachin, buscou ganhar tempo e acalmar ânimos suspendendo todas as medidas.
Ele também marcou para a terça que vem (15) uma sessão para debater a abertura ou não de investigação sobre Moraes, a quem removeu do polêmico inquérito das fake news, que desde 2019 era conduzido pelo ministro.
Flávio adotou já no evento do 7 de Setembro a estratégia de associar Lula a Moraes, que comandou o julgamento que condenou seu pai a 27 anos e três meses de cadeia por tentativa de golpe de Estado e manteve aliança tática com o petista ao longo do terceiro mandato do presidente.
Lula, por sua vez, viu seu ex-ministro da Justiça Flávio Dino, hoje no Supremo, recolocar em foco as relações do senador fluminense com Vorcaro.
Flávio Bolsonaro foi gravado pedindo dinheiro ao então banqueiro já em apuros, o chamando de "meu irmão" e prometendo lealdade.
A verba, quase R$ 70 milhões, se destinaria, segundo o senador, para bancar o filme "Dark Horse" (azarão, em inglês), sobre a carreira de seu pai. Só que Flávio não apresentou as contas e disse se tratar de uma empreitada privada, quando houve dinheiro da prefeitura paulistana envolvido.
Dino abriu o capítulo ao autorizar ação da PF para verificar o uso de verbas parlamentares no financiamento, atingindo o deputado bolsonarista Mário Frias (PL-SP). O eventual impacto desse evento na pesquisa está prejudicado, dado que o trabalho dos entrevistadores já estava avançado.
Por fim, o fim do sigilo sobre o caso no Supremo mostrou que Flávio é investigado, mas a pesquisa já havia sido encerrada.
Fonte: Folha de S. Paulo



