Avalanche no Nepal e no Tibete: número de mortes chega a 362, e quase 1.500 estão desaparecidos
Desastre atingiu vilarejos, estradas e prédios após uma avalanche de gelo e rochas provocar uma enxurrada; mais de 700 estrangeiros estão entre os desaparecidos.
Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal e 3 no Tibete. O desastre aconteceu na quarta-feira (26), depois que uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e destroços.
Ao todo, 1.468 pessoas estão desaparecidas, segundo os balanços oficiais dos dois países:
- No Nepal, há 910 pessoas desaparecidas - entre elas, estão mais de 700 são estrangeiros;
- No Tibete, são 558 pessoas desaparecidas, incluindo 260 estrangeiros.
Entre os estrangeiros desaparecidos no Nepal estão 178 indianos, 65 americanos, 53 ucranianos, 51 malaios, 35 australianos, 33 britânicos e 25 canadenses.
Enxurrada engoliu vilarejos
No Nepal, a enchente atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi. A região de Gyirong, no Tibete, também foi atingida. Casas, estradas, pontes e instalações de energia foram danificadas ou destruídas.
Os governos locais ainda investigam as causas da tragédia. A principal hipótese é de que o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que tem mais de 7.000 metros de altura, tenha dado origem à avalanche.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos chegou a apontar que havia ocorrido um terremoto na região. Mais tarde, no entanto, o órgão esclareceu que o tremor havia sido provocado pelo colapso de uma geleira.
- Após o deslizamento, a avalanche desceu pela parte mais alta da montanha, arrastando rochas, gelo e água armazenada em reservatórios naturais.
- Depois, todo esse volume chegou ao canal do rio Lhende Khola.
- A enchente provocada pela avalanche avançou sobre áreas povoadas.
➡️ COMO É A REGIÃO? A área afetada é uma região de fronteira com apelo turístico e cercada por uma das cadeias de montanhas mais famosas do mundo, a Cordilheira do Himalaia.
Embora não seja muito populosa, a região conecta diversas cidades e vilas e abriga usinas hidrelétricas e um porto, além de um posto fronteiriço entre o Nepal e a China — que controla o território do Tibete.
O posto é uma das principais portas de entrada e saída para quem viaja entre os dois países. Imagens impressionantes de uma câmera de segurança mostram que o local sendo engolido pela avalanche de lama (assista abaixo).
As equipes de resgate avançam com dificuldade pelas áreas atingidas. A lama e os escombros dificultam o acesso a vilarejos e comunidades isoladas.
O Exército nepalês realizou sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas aos rios também receberam ordens para deixar suas casas.
Especialistas alertam ainda para o risco de uma nova inundação. Um bloqueio de detritos permanece em uma área mais alta do rio na fronteira entre Nepal e China.
"Como ainda há um bloqueio na parte alta do rio fronteiriço entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que pode acontecer uma segunda inundação", afirmou à AFP Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD).
As chuvas de monção, entre junho e setembro, provocam inundações e deslizamentos em várias partes do sul da Ásia. Cientistas afirmam que o aquecimento global pode aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos na região.
Estrangeiros entre os desaparecidos
A presença de centenas de estrangeiros entre os desaparecidos aumentou a preocupação das autoridades. Muitos estavam na região como turistas ou em peregrinações.
Os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 500 mil, cerca de R$ 2,5 milhões, para as operações de emergência.
O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a prioridade é encontrar e resgatar as pessoas desaparecidas.
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Tragédia no Nepal. — Foto: Arte/g1
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