Rui Costa atribui ida de Flávio a debate ao avanço de Lula nas pesquisas

O senador eleito pela Bahia e ex-ministro da Casa Civil de Lula, Rui Costa (PT), atribuiu a mudança de posição de Flávio Bolsonaro (PL) sobre participar do debate da Band, marcado para domingo (18), aos resultados de pesquisas eleitorais feitas para consumo interno dos candidatos, as chamadas trackings.

Rui Costa atribui ida de Flávio a debate ao avanço de Lula nas pesquisas
Reprodução

Em entrevista ao UOL News, ele afirmou que esses levantamentos indicam queda de Flávio e crescimento do presidente Lula (PT) desde o primeiro turno, quando Flávio terminou na frente, com 47%, contra 45% de Lula.

"Provavelmente, olhando as pesquisas tracking que todo mundo está fazendo, todas estão indicando que ele [Flávio] está caindo e o Lula está subindo, e isso talvez tenha feito ele mudar de posição"

Rui Costa (PT), senador eleito e ex-ministro de Lula.

Flávio confirmou hoje que participará do debate da Band, voltando atrás de sua posição de ontem, quando descartou a ida ao encontro. A mudança ocorreu depois que Lula confirmou que compareceria ao encontro. Em vídeo publicado nas redes sociais, o candidato do PL afirmou que havia anunciado sua ausência para provocar uma reação do presidente e garantir sua participação no confronto.

Rui Costa avaliou que a presença dos dois candidatos nos debates beneficia os eleitores, que poderão comparar diretamente suas propostas e características. "Segundo turno é sempre uma nova eleição, porque você está ali, com um outro candidato, no tête-à-tête. Dá para o povo comparar as personalidades, a capacidade de cada um, as propostas", disse. "Quem ganha com isso é o eleitor brasileiro, que poderá comparar no domingo e nos próximos debates e escolher de forma mais consistente o seu candidato."

Para o petista, o confronto direto é melhor que os do primeiro turno, quando há vários candidatos.

É muito melhor do que quando você tem um debate com sete, oito, dez candidatos. Fica aquela coisa difusa. Agora não, é um contra um", afirmou.

O senador eleito demonstrou ainda confiança no desempenho de Lula. "Eu não tenho dúvida de que o presidente Lula mostrará toda a sua capacidade e seu conhecimento do Brasil", falou.

Flávio e caso Master

O senador destacou que aliados de Flávio Bolsonaro têm relações com o Banco Master e acusou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de utilizar dinheiro e festas para se aproximar de políticos e magistrados. Rui também associou o apoio ao candidato do PL a governos que mantiveram relações financeiras com o banco, como o do Distrito Federal e o do estado do Rio de Janeiro.

"Basta olhar todos que estão ao redor do Flávio Bolsonaro, todos eles com envolvimento com o Banco Master."

Rui Costa (PT), senador eleito e ex-ministro de Lula.

Aliado de Flávio, o então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) tentou comprar o Master por meio do banco estatal BRB, o que gerou um prejuízo de bilhões à instituição. Já o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) atuou para que o fundo de previdência dos funcionários públicos do estado, o Rioprevidência, fizesse aportes bilionários no Master, de acordo com a investigação.

O próprio Flávio Bolsonaro recebeu mais de R$ 60 milhões de Vorcaro para, supostamente, financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro (PL). A PF investiga qual o destino do dinheiro, que foi enviado para os Estados Unidos.

Rui também foi citado no caso Master, em uma proposta de delação de Vorcaro que foi recusada. Segundo o relato, Costa e o senador reeleito Jaques Wagner (PT) recebiam R$ 3 milhões mensais ligados à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores estaduais ligado ao Master.

Na entrevista, o ex-ministro negou que a privatização da rede de supermercados Cesta do Povo, durante seu governo na Bahia, tenha relação com o escândalo do Banco Master. Segundo ele, o Credcesta foi incluído na venda para atrair compradores, em uma operação anterior à existência do banco.

"O Banco Master nem existia e, portanto, não há que se falar de relação com o Banco Master"

Rui Costa (PT), senador eleito e ex-ministro de Lula.

Sobre Wagner, Rui afirmou que Lula não protege aliados de investigações.

O senador, porém, criticou a decisão judicial que autorizou buscas contra Wagner. Sem mencionar nomes, ele sugeriu que o relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro André Mendonça, poupou ACM Neto (União Brasil), também citado. A justiticativa seria a não interferência no processo eleitoral, já que ACM Neto concorria ao governo da Bahia. No entando, Wagner também era candidato.

No caso do senador, a PF aponta suspeitas de benefícios em troca da defesa de interesses do Master no Senado. Os indícios encontrados nos celulares de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, incluem um apartamento em Salvador, uso de aeronaves e transferências para uma empresa ligada ao núcleo familiar do senador. Wagner nega ter recebido vantagens financeiras ou atuado ilegalmente em favor do Master.

ACM Neto é apontado na proposta de delação de Vorcaro como um dos intermediários para abrir portas ao Master em institutos de previdência estaduais e na Cedae, o que teria permitido a captação de R$ 2 bilhões.

Wagner foi reeleito, e ACM perdeu a disputa ao governo do estado para o petista Jerônimo Rodrigues, atual governador.

Fonte: Uol