Quem é o delegado da PF detido após tentar furtar iguaria de luxo em shopping e que isentou Flávio Bolsonaro de acusações em 2020
Erick Blatt foi flagrado furtando um vidro de carpaccio de trufa em um supermercado localizado no Shopping RioMar, na Zona Sul de Recife
O delegado da Polícia Federal (PF) Erick Blatt foi flagrado furtando um vidro de carpaccio de trufa em um supermercado localizado no Shopping RioMar, na Zona Sul de Recife. O ato foi registrado por câmeras de segurança do circuito interno do estabelecimento, que acionou a polícia.
O furto ocorreu na última quinta-feira e, nas imagens, o delegado aparece de camisa preta, em frente a uma prateleira, pegando um item pequeno e colocando em um carrinho de compras. Depois, o vídeo mostra Blatt escondendo o produto no bolso na bermuda. Segundo informações do g1, o item seria um vidro de carpaccio de trufa, iguaria de luxo que custa R$ 300.
Ainda conforme as imagens, após fazer uma refeição na padaria do supermercado, o delegado paga outras compras no caixa, mas sem incluir o objeto que guardou. Ele foi abordado por seguranças na saída do estabelecimento, que o revistaram e recuperaram o pertence.
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, a ocorrência foi registrada na Delegacia de Boa Viagem como furto em estabelecimento comercial. Ainda conforme a polícia, o delegado de 50 anos prestou esclarecimentos e um inquérito foi instaurado.
Quem é o delegado
Blatt, atualmente lotado em Pernambuco, é ex-diretor da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) no Rio de Janeiro e foi o responsável por isentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um inquérito que apurou indícios de crime de falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens do parlamentar para a Justiça Eleitoral, em 2020.
Na época, Blatt já conhecia o senador e seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, há pelo menos sete anos. Em 2016, o delegado recorreu aos Bolsonaros para obter apoio para a PEC da Autonomia, reivindicação da categoria para que a corporação tenha autonomia total em relação ao governo.
Na ocasião, Blatt posou para uma foto com Jair Bolsonaro, no Congresso Nacional. Além disso, na época em que o delegado isentou Flávio do inquérito, o senador fez elogios: "Quando a investigação é isenta, só tem esse resultado possível".
No mesmo ano, Blatt foi alvo de uma representação feita na ADPF apontando que ele pagou R$ 34,2 mil a Jordana Almeida, sua então namorada, para fornecer cestas de café da manhã para os associados.
À época, como mostrou O GLOBO, os associados questionaram a ação devido ao estatuto da ADPF vedar a contratação de cônjuge ou companheiro por parte de dirigentes. Outro ponto cobrado foi o pagamento de fretes nas cestas, entregues pelo próprio diretor.
O documento estimou que cerca de R$ 100 mil podem ter sido gastos com as cestas de Natal em 2020.
por: O Globo



