MP denuncia deputado Lucas Bove e pede prisão preventiva por descumprir medidas protetivas de ex-esposa Cíntia Chagas
Promotoria denunciou o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça, e pediu à Justiça a prisão preventiva dele por reiterados descumprimentos de medidas protetivas.
O Ministério Público de São Paulo denunciou, nesta quinta-feira (23), o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição, violência psicológica, violência física e ameaça, e pediu à Justiça a prisão preventiva dele por reiterados descumprimentos de medidas protetivas concedidas à influenciadora digital e ex-esposa, Cíntia Chagas.
Cíntia Chagas é uma influenciadora com mais de 7,6 milhões de seguidores nas redes sociais e, no ano passado, prestou queixa contra o deputado e relatou uma série de abusos físicos e psicológicos durante o relacionamento de mais de dois anos que teve com o político.
Bove foi indiciado pela polícia pelos crimes de perseguição e violência psicológica contra Cíntia Chagas no dia 29 de setembro. O inquérito foi concluído em 15 de setembro e encaminhado à Justiça.
Em agosto, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) decidiu arquivar a denúncia contra o deputado estadual, acusado de quebra de decoro parlamentar após as denúncias da ex-esposa.
Segundo o Ministério Público, Bove teria ignorado determinações judiciais de forma cada vez mais ostensiva, demonstrando “claro desprezo” às restrições impostas.
Segundo o documento, há cerca de um ano o deputado vem desrespeitando as ordens judiciais, mesmo após intimações e advertências feitas pessoalmente e por meio de seus advogados.
O Ministério Público afirma que ele tem conhecimento da necessidade de cumprir as medidas, mas não o faz por acreditar que não será responsabilizado pelas consequências.
A promotoria relata ainda que os advogados da vítima comunicaram diversas vezes à Justiça as situações de descumprimento, apresentando datas e provas das violações. Para o MP, a simples existência das medidas protetivas já não é suficiente para garantir a segurança da vítima.
O texto afirma que, no início, Bove publicava indiretas nas redes sociais envolvendo a vítima e mencionando a existência do processo.
Com o tempo, porém, ele passou a fazer publicações explícitas com o nome da vítima e referências ao caso, o que, segundo o MP, descumpre a decisão judicial que proibia qualquer menção ao processo.
Consta também, segundo o órgão, que Cíntia precisou acionar a Justiça diversas vezes, por meio de seus advogados, para relatar os episódios e pedir que o investigado parasse com as publicações.
No pedido, o Ministério Público afirma que os fatos são graves e que Lucas já demonstrou que não irá parar de descumprir as medidas impostas. O órgão ressalta o “alto grau de reprovabilidade” das atitudes e afirma que cabe ao Estado proteger a integridade psicológica da vítima
O MP cita também a existência de “notícia de histórico de violência” e informa que, além do processo das medidas protetivas, já foi oferecida denúncia contra o investigado em outro procedimento. Com isso, para a promotoria, medidas alternativas à prisão não são mais suficientes, e o decreto de prisão preventiva é necessário.
Para a TV Globo, a defesa do deputado Lucas Bove informou que não vai se manifestar sobre a denúncia.
O que diz Cíntia Chagas
Em nota, Cíntia Chagas disse que recebeu a decisão "com serenidade e inabalável confiança na Justiça".
" Trata-se de um homem público, e é moralmente inaceitável que agressores de mulheres permaneçam investidos em funções de poder. A violência contra a mulher não se circunscreve à esfera privada: constitui crime e afronta à dignidade humana. Que a lei siga o seu curso e que, como sempre, a verdade prevaleça. A todas as mulheres que enfrentam a violência, deixo uma mensagem: não se calem. O silêncio protege o agressor", afirmou.
O que diz a defesa de Cíntia Chagas
"A Justiça não é palco para vingança, brincadeiras ou deboche — especialmente quando se trata de violência contra a mulher. A denúncia do Ministério Público de São Paulo, com imputação dos crimes de ameaça, perseguição, lesão corporal, violência psicológica e desobediência, representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vítima.
Sempre acreditei na palavra de Cíntia Chagas — como mulher, amiga, cliente e comunicadora que admiro profundamente. Ela enfrentou com coragem todos os obstáculos, confiou na Justiça e seguiu cada orientação jurídica com serenidade e firmeza. Hoje, a denúncia formal reafirma o que sempre sustentamos: que não há espaço para o abuso, para a impunidade e para o uso do poder como instrumento de opressão.
Como ex-membro do Ministério Público, instituição à qual servi com orgulho por mais de vinte anos e que me representa para o resto da vida, celebro seu papel essencial na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência.
Essa atuação demonstra que a lei existe para todas e contra todos que a violarem — independentemente de quem sejam ou do cargo que ocupem.
A mensagem que fica é clara: ninguém está acima da lei e da justiça. E eu sigo acreditando — com fé, ética e coragem — que a verdade e a Justiça sempre prevalecem", afirmou Gabriela Manssur, advogada e ex-Promotora de Justiça.
Fonte: G1



