Diretor da Anvisa diz que limite para cultivo de maconha não inviabiliza produção de remédios

Agência autoriza associações a plantarem a erva com teor de THC igual ou menor que 0,3% Thiago Campos defende limite imposto pela Anvisa, em entrevista ao podcast Cannabis Hoje Pod

Diretor da Anvisa diz que limite para cultivo de maconha não inviabiliza produção de remédios
Thiago Campos, diretor da Anvisa - Divulgação/Anvisa

O debate sobre a regulamentação do cultivo de Cannabis para fins medicinais no Brasil ganhou um novo capítulo com as declarações de um dos diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o dirigente, o estabelecimento de limites e critérios rigorosos para o plantio por empresas e instituições de pesquisa não compromete a capacidade de produção nacional de medicamentos à base da planta.

A declaração ocorre em um momento de pressão por parte de associações de pacientes e do setor farmacêutico, que defendem regras mais flexíveis para reduzir os custos de importação e baratear o acesso aos tratamentos. O diretor defendeu que a fiscalização e o controle sobre o volume cultivado são essenciais para garantir a segurança jurídica e evitar o desvio de finalidade.

De acordo com o posicionamento da agência, o foco atual é consolidar um modelo que priorize a qualidade do insumo farmacêutico. O argumento é que, mesmo com restrições de escala em determinadas etapas, as tecnologias de extração e processamento atuais permitem que o mercado seja atendido sem a necessidade de um cultivo indiscriminado.

A discussão sobre o plantio doméstico e industrial de maconha medicinal segue travada em diferentes instâncias do governo e do Judiciário. Enquanto a Anvisa foca nos aspectos técnicos e sanitários, o Congresso Nacional ainda debate propostas que podem alterar profundamente as regras para o setor nos próximos anos.

Para o setor produtivo, no entanto, a manutenção de limites rígidos ainda é vista como um obstáculo para a competitividade do produto brasileiro em relação aos importados, especialmente de países que já possuem uma cadeia de suprimentos mais integrada e volumosa.

Por: Folha de São Paulo