Anvisa aprova Wegovy para o tratamento de gordura no fígado

Medicamento já indicado para obesidade reverteu a inflamação do fígado em 63% dos pacientes

Anvisa aprova Wegovy para o tratamento de gordura no fígado
Wegovy, remédio para perda de peso. — Foto: Novo Nordisk

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa ) aprovou nesta segunda-feira (15) uma nova indicação para Wegovy(semaglutida 2,4 mg). O uso do medicamento passa a ser ampliado para tratar gordura no fígado com inflamação (esteatohepatite associada à disfunção metabólica ou MASH, da sigla em inglês) em adultos com fibrose moderada a avançada, sem cirrose hepática.

A gordura no fígado, ou esteatose metabólica, acomete pelo menos 30% da população global e está diretamente ligada ao sobrepeso e à obesidade: oito em cada dez pessoas com excesso de peso convivem com o problema.

Além de aumentar o risco cardiovascular, a esteatose pode evoluir para gordura no fígado com inflamação, uma inflamação potencialmente grave ligada ao sobrepeso e à obesidade que pode levar à cirrose e necessidade de transplante hepático, se não for diagnosticada e devidamente tratada.

A aprovação da Anvisa baseia-se nos resultados do estudo de fase 3 ESSENCE. Os resultados desse trabalho mostraram que após 72 semanas, 63% dos pacientes tratados com Wegovy alcançaram a resolução de MASH ou desaparecimento da inflamação, em comparação com 34,3% no grupo placebo. Além disso, 37% dos pacientes tratados apresentaram melhora no estágio da fibrose hepática, contra 22,4% no grupo placebo e 33% dos pacientes alcançaram os dois benefícios ao mesmo tempo: reverteram a inflamação e melhoraram o grau de fibrose.

"A aprovação de hoje é um marco no tratamento da gordura no fígado no Brasil, uma doença silenciosa e grave, diretamente ligada à epidemia de obesidade", afirma Priscilla Mattar, endocrinologista e vice-presidente da área médica da Novo Nordisk no Brasil, em comunicado. "Até agora, os pacientes tinham poucas opções para frear a progressão da doença, que pode levar à cirrose e à necessidade de um transplante de fígado. Ter uma terapia que demonstrou não apenas reverter a inflamação em mais de 60% dos pacientes, mas também melhorar a fibrose hepática, é um avanço que pode mudar o curso da doença", completa.

Fonte: Globo.com