Nunes Marques ligou modo ‘tratoraço’ no segundo turno das eleições, dizem ministros do TSE e STF

Nunes Marques ligou modo ‘tratoraço’ no segundo turno das eleições, dizem ministros do TSE e STF
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, durante sessão plenária em 19 de maio de 2026 — Foto: Luiz Roberto/TSE

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, entrou no segundo turno das eleições no modo “tratoraço” e deixou para trás a postura de equilíbrio que tentava cultivar. A visão é compartilhada por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

— Ele ligou o trator e está vindo com tudo. Inclusive contra as prerrogativas dos juízes do próprio tribunal e contra o plenário do TSE — resumiu um ministro da corte eleitoral.

A leitura desses ministros é que, após Flávio Bolsonaro ter tomado a dianteira no primeiro turno, Nunes Marques teria avaliado que os membros do tribunal fariam gestos ao candidato do PL. Essa ala do TSE acredita que Nunes Marques interpretou a decisão da corte eleitoral de anular votos de Anthony Garotinho e dar vitória no primeiro turno a Douglas Ruas (PL), aliado de Flávio no Rio de Janeiro, como um sinal neste sentido.

No domingo (11), o presidente do TSE atropelou uma decisão do corregedor da corte, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e determinou a suspensão do canal "Exército do Lula" no WhatsApp, coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG). O pedido foi feito pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Posteriormente, Cueva derrubou a decisão de Nunes Marques e restabeleceu o canal de WhatsApp “Exército do Lula”. Como informou O GLOBO, a avaliação de integrantes do TSE é de que a decisão do presidente do TSE resulta em uma quebra de confiança, não só da sociedade com o tribunal, mas também internamente.

Integrantes da corte eleitoral e do STF destacam que, ao derrubar o canal de apoio a Lula, Nunes Marques deu uma decisão no âmbito administrativo e usou o poder de polícia conferido ao presidente do TSE de maneira errada. Isso porque esse poder de suspender divulgação de conteúdo pelo presidente da corte só se aplica a casos de fake news contra o próprio TSE e a Justiça Eleitoral, como ataques às urnas.

Por: O Globo