Artemis II conclui a mais importante viagem espacial tripulada em 5 décadas, em passo crucial para a exploração do cosmos

Espaçonave pousou com sucesso no Oceano Pacífico com os quatro astronautas, e abre caminho para as próximas missões tripuladas e possível estabelecimento de base lunar

Artemis II conclui a mais importante viagem espacial tripulada em 5 décadas, em passo crucial para a exploração do cosmos
Cápsula Orion, já de volta à Terra, aguarda o momento do resgate dos astronautas a bordo — Foto: Reprodução/Nasa

Após dez dias de uma jornada acompanhada por bilhões de pessoas na Terra, a Missão Artemis II, a primeira viagem tripulada em direção à Lua em mais de 50 anos, terminou com uma reentrada e um pouso perfeitos da cápsula Orion no Oceano Pacífico, na noite desta sexta-feira. Embora não tenha chegado ao solo lunar, a missão era considerada uma das mais importantes das últimas décadas para o retorno humano a nosso satélite natural, e para sua potencial ocupação permanente.

— Que jornada. Estamos estáveis. Quatro tripulantes "verdes" (nomenclatura que indica que todos estão bem) — disse o comandante da Missão Artemis II, Reid Wiseman, logo depois da espaçonave tocar o oceano.

A Orion pousou no Oceano Pacífico às 21h07 , pelo horário de Brasília, perto da costa de San Diego, no estado americano da Califórnia, e os quatro serão resgatados pelo navio USS John P. Murtha, com o apoio de embarcações menores. A escotilha foi aberta 50 minutos depois, e para que deixem a cápsula em segurança, há uma espécie de balsa, apelidada de "varanda da frente". Em seguida, serão levados para um período de recuperação e exames médicos antes de serem liberados.

"Os Estados Unidos estão de volta à ativa, enviando astronautas à Lua e trazendo-os de volta em segurança", escreveu, na rede social X, o chefe da Nasa, Jared Isaacman. "Esses talentosos astronautas inspiraram o mundo e representaram suas agências espaciais e nações como embaixadores da Humanidade junto às estrelas."

Tal como sua missão preparatória, a Artemis I, lançada sem tripulantes no final de 2022, a Artemis II conviveu com atrasos, alterações nos planos e uma troca na Casa Branca que pôs novamente a Lua no centro das prioridades espaciais. O presidente dos EUA, Donald Trump, que em seu primeiro mandato queria astronautas no satélite natural até 2024, estabeleceu como nova meta 2028, seu último ano na Presidência. Até 2032, deseja ver uma base permanente. Por isso, demonstrar que os EUA tinham capacidade para recolocar humanos na Lua era crucial, em uma corrida contra um programa espacial chinês que também quer as pegadas de seus taikonautas ali até 2030.

Antes da data inicial de lançamento, em março, foram detectados problemas como um vazamento de hidrogênio, e o consenso foi pelo adiamento para o dia 1º de abril. Desta vez, sem sustos, imprevistos ou questões técnicas: às 19h35, pelo horário de Brasília, o foguete levando a cápsula Orion e seus quatro tripulantes — Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen — rompeu a atmosfera rumo à órbita lunar.

— Gostaria de começar parabenizando a equipe da Nasa e nossos bravos astronautas pelo lançamento bem-sucedido da Artemis II. Foi algo realmente extraordinário — disse Trump, no dia 1º de abril, no mesmo pronunciamento em que exaltou a guerra contra o Irã.